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Ilha do Ferro

Bordado Boa Noite

O Boa Noite é o bordado tradicional da Ilha do Ferro. A bordadeira desfia o tecido e o recompõe em faixas geométricas com motivos florais. O nome vem de uma flor da região. A técnica passa de mãe para filha há gerações, e foi justamente o que levou pesquisadores ao povoado nos anos 1980.

Três bordadeiras sentadas em uma canoa, mostrando peças de bordado, com o rio ao fundo
Bordadeiras da Ilha do Ferro. Foto: Tom Alves / Rede Artesol

Como é feito

O tecido é amarrado úmido em bastidores de madeira. Ao secar, ele estica, e a agulha vai abrindo janelinhas e trançando relevos, sempre em geometria rigorosa, seguindo a trama. É um trabalho demorado, e essa é uma das razões de a técnica ser rara.

A Rede Artesol descreve quatro composições: Boa Noite Simples, Boa Noite Cheio, Boa Noite de Flor e Boa Noite Variações.

Do branco às cores

Por muito tempo, o Boa Noite foi branco. As linhas coloridas chegaram com o contato com gente de fora, em especial o designer Renato Imbroisi, em uma ação do Museu A CASA do Objeto Brasileiro. Os temas também mudaram: além das flores, hoje aparecem desenhos geométricos, casarios, bichos e plantas da região.

A Cooperativa Art Ilha

As bordadeiras se organizaram em cooperativa em meio à seca de 1998, com apoio de programas públicos e de organizações como a Artesol, e a Art Ilha foi legalizada em maio de 1999. Segundo uma pesquisa de 2003, o bordado era uma tradição que a maioria da comunidade tinha deixado de lado, e o trabalho coletivo voltou a atrair as jovens. A cooperativa tinha 30 artesãs em 2000, 46 em 2003 e cerca de 40 em 2023.

Elas trabalham individualmente, compram o material juntas, e uma parte das vendas sustenta a sede. No fim da tarde, é comum ver as mulheres bordando em roda nas calçadas.

De onde veio

Não há consenso. Algumas fontes falam em influência portuguesa ou europeia, outras em uma invenção local. A filha de Seu Fernando, Rejania, conta que quem difundiu o Boa Noite por ali foi Dona Ernestina, bordadeira vinda de Sergipe, mas ninguém sabe se ela o trouxe ou se ele já existia no povoado.

Onde comprar

Na sede da cooperativa, à beira do rio, e nas casas: muitos ateliês também vendem bordado, e as bordadeiras costumam estar à porta no fim da tarde. Há toalhas, jogos americanos, guardanapos, almofadas, cortinas, marcadores de livro e panos de parede. Pague com Pix ou dinheiro.